Porque estão tão baixas as taxas de juro?

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banco central europeuSe fizer uma rápida análise ao valor da sua prestação da casa nos últimos anos (se tiver, claro) irá dar-se conta que que o valor da prestação paga tem vindo a diminuir. Isso deve-se ao facto de nos últimos cinco anos, os juros de uma forma geral, e a taxa Euribor em particular, serem cada vez menores.

Mas porque é que isto acontece? Não era suposto o banco estar interessado em ganhar mais com o meu empréstimo? Porque é que então me baixaram a prestação mensal? Na realidade a diminuição dos juros não é uma consequência directa da vontade do banco, estando mais relacionada com a evolução da economia no seu conjunto, e com as decisões dos bancos centrais.

 

Os juros são o preço do dinheiro

Falar de juros é falar do preço do dinheiro. Muitos estarão já a perguntar: Mas o dinheiro tem um preço? Na realidade tem mais do que um. Claro que sim. Quando o banco nos empresta dinheiro, fá-lo a um determinado juro. Este juro representa o preço do empréstimo, ou dito de outra forma, o preço ao qual podemos comprar dinheiro.

Como em qualquer outro bem ou serviço comercializado no mercado, o preço determina a procura. Quanto menor for a taxa de juro, mais fácil é obter dinheiro, e a procura, consequentemente, será maior.

 

O papel do Banco Central Europeu

A função do Banco Central Europeu é ser o banco dos bancos, ou dito de outra forma, é a entidade que permite aos bancos pedir dinheiro emprestado ou abrir um depósito para guardar o seu dinheiro, como se de um cidadão normal ou uma empresa se tratasse. Para além disso, regula também a economia de forma a manter estáveis os níveis de preços.

Nos últimos anos, acostumámo-nos a ver e ouvir notícias sobre o Banco Central Europeu na imprensa e na televisão. Na maioria das vezes, as notícias fazem referência à decisão do presidente, Mario Draghi, de baixar as taxas de juro de referência. Dito de outra forma, o Banco Central Europeu reduziu o preço do dinheiro emprestado aos bancos, com o objectivo de estes, por sua vez, reduzirem o preço do dinheiro emprestado aos respectivos clientes nos seus países. Desta forma pretende-se aumentar o investimento das empresas e estimular o consumo dos privados, de forma a reactivar a economia.

Mas isto não termina aqui. Os bancos também reduziram as taxas de juro praticadas entre eles, o que é conhecido por mercado interbancário. A consequência mais evidente foi a redução da taxa da Euribor, uma vez que este indicador é determinado em função do custo dos empréstimos realizados entre os bancos.

 

O que acontece então com as poupanças?

Se as famílias poupam, deixam de consumir. Se as empresas poupam, deixam de utilizar os seus recursos em investimentos. Por último, e talvez o mais importante, se os bancos poupam, então não utilizam os seus recursos para conceder crédito.

A poupança está relacionada com os juros. Quanto maiores estes forem, maior será o valor de poupança dos agentes económicos, basicamente porque os produtos de renda fixa são mais atraentes. Por exemplo, um depósito a prazo de um ano a uma taxa de juro de 4% representa uma maior poupança porque mais pessoas irão colocar o seu dinheiro nesse depósito, contrariamente ao que aconteceria se a taxa de juro do depósito fosse de apenas 0,5%. Ter dinheiro vivo é melhor do que o ter imobilizado num depósito a uma taxa de juro de 0,5%. O seu valor é praticamente o mesmo passado um ano, e pelo menos podemos utilizá-lo para consumir.

Como actualmente os bancos podem aceder à liquidez fornecida pelo Banco Central Europeu a uma taxa de juro de 0,05 %, não necessitam de captar mais recursos do público em geral através dos depósitos, pelo que os juros oferecidos nestes produtos são menores. O próprio BCE tem impossibilitado a poupança dos bancos, fazendo com que os depósitos tenham juros negativos. Dito de outra forma, se um banco quiser guardar o seu dinheiro no BCE tem de pagar para isso, de forma que é menos gravoso deixar esse dinheiro nas suas próprias caixas fortes.

 

As expectativas são a chave para que os juros sejam tão baixos

Na realidade, tudo tem a ver com as expectativas que os agentes económicos têm em relação à evolução dos juros no futuro. Se por exemplo os investidores considerarem que o BCE vai subir as taxas de juros num futuro não muito longínquo, estes irão ser maiores de forma a aproveitar a subida. Por outro lado, as taxas de juro deverão continuar igualmente baixas já que o BCE também não tem grande margem de manobra para a sua redução.

Mas existe uma outra razão. O prémio de risco, um conceito que talvez já não seja tão familiar mas que estava muito em voga há apenas dois anos. O prémio de risco consiste na rentabilidade adicional que é pedida por um investidor por assumir um risco maior na compra de um produto financeiro, como os títulos da dívida da Republica Portuguesa. Em 2012, o risco de quebra de certos países fez com que os prémios de risco disparassem, uma vez que os investidores tinham de assumir um risco adicional.

Actualmente e devido sobretudo ao apoio do BCE, os prémios de risco baixaram para níveis mais normais, bem como os juros da dívida portuguesa que também estão (muito) mais baixos. Dito de outra forma, as expectativas actuais dos investidores sobre os eventuais problemas de pagamento dos títulos de dívida estão totalmente dissipados.

 

Conclusões

Resumindo, a razão pela qual as taxas de juro estão tão baixas quando pretendemos rever a nossa prestação da casa ou quando vamos subscrever um produto financeiro, é devida essencialmente ao papel regulador do Banco Central Europeu, mas também às expectativas dos consumidores e dos investidores em relação é evolução futura da economia.

Imagem Jurjen van Enter via Flickr

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