O futuro do pequeno comércio

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pequeno comércio

O pequeno comércio está cercado. De um lado estão as grandes superfícies, cadeias e franchisings que são há muito tempo concorrentes do pequeno comércio. Por outro lado assiste-se ao assalto da Internet que oferece o mesmo e mais barato.

Perante tudo isto, como pode resistir o pequeno comércio? Está acabado? Penso que não, uma vez que ainda existem muitas possibilidades por explorar. Para começar existem determinados aspectos sociais que não são fáceis de substituir numa loja online. No entanto, tenho a sensação que o pequeno comércio, de uma forma geral, não está preparado para o desafio que tem pela frente.

Hamleys of London

O Hamleys é uma loja de brinquedos com vários andares localizada na Regent Street, em Londres. Pessoalmente, considero-a como sendo uma armadilha para todos quantos ainda têm dentro de si uma criança pronta a brincar. Não é apenas devido a diversidade e quantidade de brinquedos que aqui existem, mas também pela estratégia de vendas da mesma.

Se visitar a Hamleys, poderá ver que os vendedores não estão a despachar (para isso existem as caixas), nem sequer estão a ajudar os clientes (embora sejam muito bons a fazê-lo) porque estão a brincar que nem crianças com os brinquedos. Antes de nos darmos conta, já eles estão a brincar connosco, lançando uma bola para nós, fazendo truques de magia ou pilotando um drone em direcção a nós. É difícil não interagir com tão incríveis brinquedos, pelo que uma vez acabado a demonstração, colocam-nos o brinquedo na mão e dizem-nos que apenas custa vinte libras. E todo este processo apenas dura um ou dois minutos.

Para que isto funcione é necessário ter uma boa política de compras e também uma excelente selecção de pessoal qualificado. Não vale a pena fazer as pessoas acreditar estarem a reviver a sua infância se não comprarem nada. É preciso ser um brinquedo absolutamente incrível, não necessariamente aquele que possa dar mais lucro na venda. Por outro lado, o empregado tem de ter formação e conhecer aquilo que está a vender, algo que não se consegue fazer numa loja onde o pessoal tem contratos temporários e muda a cada três meses.

Uma pequena loja de fotocópias e de artigos de papelaria

Para além da Hamleys, que é uma atracção de Londres e está em muitos dos guias turísticos, existem outros exemplos mais fáceis de levar a cabo. Uma pequena loja de fotocopias também conseguiu chamar a minha atenção, no sentido em que faz as pessoas ter vontade de voltar.

Têm um serviço gratuito de troca de livros, para além de mais artigos de papelaria. Também há uma máquina de café Nespresso a um euro o café. Se existir fila de espera, uns assentos baratos do Ikea permitem esperar mais comodamente, sem todo o espaço estar ocupado pelas máquinas.

Se não os pode vencer, junte-se a eles

O que as compras na Internet têm de pior para mim é a entrega. O facto de ser preciso estar num lugar a determinada hora. Também não gosto muito de dar a minha direcção do trabalho, entre outros motivos porque posso nem sempre ali estar ou porque posso não querer que os colegas de trabalho saibam o que compro. É verdade que em determinados locais o porteiro encarrega-se da entrega, mas nem todos vivem ou trabalham em edifícios com porteiro.

Nos Estados Unidos, existe uma modalidade onde o distribuidor deixa a encomenda à porta de casa, sem ser necessário assinar nada. Mas isso não é costume em Portugal, nem é muito prático ou viável devido à falta de respeito pela propriedade alheia. Será que não poderia haver um serviço de reencaminhamento das encomendas para uma morada onde nós depois pudéssemos fazer a recolha a qualquer hora (sem ter de ser necessariamente nos correios)?

O pequeno comércio vai ter de se reinventar mais uma vez, de ser capaz de oferecer algo que as lojas na Internet não sejam capazes de oferecer. E isso não é fácil, nem imediato, mas o tempo não pára e é preciso oferecer algo mais do que ter simplesmente o objecto e esperar pelos clientes na loja.

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