Avareza: desejo desordenado de possuir e adquirir riqueza

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avarezaA avareza é a raiz de todos os problemas da economia. Não importa que se fale de capitalismo, de comunismo, ou de qualquer outra ideologia politica ainda por inventar.

A avareza é algo contra a qual ainda não se criou qualquer lei, mas talvez devesse realmente haver qualquer legislação que lutasse contra esse desejo desordenado de possuir e adquirir riquezas para as guardar e acumular.

No entanto, não há que necessariamente lutar contra a parte do desejo desordenado de possuir e adquirir riquezas, salvo na parte de ser algo desordenado. O que é preciso controlar é precisamente o facto do único intuito da avareza ser a acumulação da riqueza, sem quaisquer benefícios para a economia e para a sociedade em geral.

Possuir e adquirir riqueza é uma prática razoável para quem quer estar tranquilo perante uma eventual infelicidade imprevista (que seja solucionável com dinheiro, pois nem tudo é). Só que para além de certos limites, acumular riqueza não faz sentido, não tem utilidade e torna-se até absurdo.

Para que precisa alguém de ter 22 milhões escondidos numa conta na Suíça? Será porque precisa de comprar urgentemente um iate ou um avião?

Quem precisa de ter numa conta o valor equivalente ao salário integral de um concidadão que precisa de trabalhar durante 1000 anos para conseguir ter esse dinheiro, é um avarento consumado. Vai dar ao mesmo se esse dinheiro foi ganho de forma honrada ou se foi “desviado”. O dinheiro acumulado numa conta, é simplesmente inútil, para o dono e para a sociedade.

Se é dinheiro oculto ao fisco, aos familiares ou aos amigos, então para que serve?

Também no âmbito empresarial existe a avareza. Há empresas com lucros enormes, superiores ao PIB de alguns países, que ainda continuam a crescer, e que se tornam cada vez maiores e ricas e à custa de tudo e de todos. É realmente necessário encerrar uma fábrica que facturava 1 milhão de euros por ano, e mudar a produção para outro país onde os custos apenas ascendem a 100.000 euros anuais, quando os benefícios directos e indirectos superavam a facturação da fábrica? É mesmo preciso ganhar mais 15% na margem de lucro do que se ganhava no ano anterior, e a qualquer preço?

Talvez se devesse legislar contra a avareza, fazendo com que, por exemplo, as “poupanças” superiores aos 100.000 euros fossem tributadas a juros e impostos altos (estivessem onde estivessem, de nada servem quando o dinheiro está escondido em paraísos fiscais). Por outro lado devia-se dar benefícios fiscais ao reinvestimento dos lucros, fosse na expansão da empresa ou sobretudo em fins sociais.

Não faz sentido que uns poucos acumulem riqueza à custa dos outros, e que esta não se reinvista no sistema, ficando parada em contas opacas. Não existem números fiáveis a este respeito, mas estou certo de que o dinheiro “escondido” em contas opacas ao fisco iria solucionar muitos dos problemas derivados da crise, a qual, entre muitas outras coisas permitiu a muitos adquirir essa “riqueza”.

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